Tive um sonho estranho
Sonhei com um caminho escuro
Ladeado por um abismo sem futuro
E pessoas de olhos vendados
Caminhando com passos pesados
Muitas pessoas cansadas
Arrastavam os pés pelo caminho poeirento
Muitas estavam famintas, doloridas e machucadas
Outras soltavam risadas vazias ao vento
Pareciam loucas, alucinadas, embriagadas
Perseguindo miragens que se desvaneciam
À beira do abismo escuro que as engolia
Outras choravam desconsoladas
Sem que ninguém notasse
Tantas indiferentes!
Apenas passantes, almas errantes
Algumas deliravam, ousavam
Enchiam o peito e se enganavam
Achando que sabiam,
Que eram importantes,
Que faziam a diferença,
Mas no fim, caiam no abismo impotentes
Então pensei: Quanta gente, meu Deus!
Quanta gente que não sabe para onde está indo!
Que acorda de um sonho lindo
E percebe que está apenas caindo
Foi então que vi uma estrela brilhante
Incidindo sua luz naquele caminho
E quem a percebia e tirava a venda
Podia ver uma trilha alternativa que subia
A trilha era íngrime e extenuante,
Mas por ela, árvores com frutos
Lançavam sombra refrescante
Ao fim do caminho
Havia um lugar brilhante
Com água borbulhante
E cores fascinantes
A ponte entre a trilha e este lugar
Era uma cruz cercada por um lagar
Da cruz escorria o suco das uvas
E para não escorregar
As pessoas precisavam se abaixar
E passar de joelhos, bem devagar
Acordei e percebi o preço daquele lugar
O preço de tirar a venda e poder enxergar
De não deixar a vida simplesmente passar
De não cair no abismo e se afogar
O preço que custou tanto, tanto ao Salvador!
Que o encheu de trabalhos e de dor
Só nos custa descer do orgulho que seduz
E cair de joelhos sobre o sangue da sua cruz!
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