sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Preço da Vida

Tive um sonho estranho
Sonhei com um caminho escuro
Ladeado por um abismo sem futuro
E pessoas de olhos vendados
Caminhando com passos pesados

Muitas pessoas cansadas
Arrastavam os pés pelo caminho poeirento
Muitas estavam famintas, doloridas e machucadas
Outras soltavam risadas vazias ao vento

Pareciam loucas, alucinadas, embriagadas
Perseguindo miragens que se desvaneciam
À beira do abismo escuro que as engolia

Outras choravam desconsoladas
Sem que ninguém notasse
Tantas indiferentes!
Apenas passantes, almas errantes

Algumas deliravam, ousavam
Enchiam o peito e se enganavam
Achando que sabiam,
Que eram importantes,
Que faziam a diferença,
Mas no fim, caiam no abismo impotentes

Então pensei: Quanta gente, meu Deus!
Quanta gente que não sabe para onde está indo!
Que acorda de um sonho lindo
E percebe que está apenas caindo

Foi então que vi uma estrela brilhante
Incidindo sua luz naquele caminho
E quem a percebia e tirava a venda
Podia ver uma trilha alternativa que subia

A trilha era íngrime e extenuante,
Mas por ela, árvores com frutos
Lançavam sombra refrescante

Ao fim do caminho
Havia um lugar brilhante
Com água borbulhante
E cores fascinantes

A ponte entre a trilha e este lugar
Era uma cruz cercada por um lagar

Da cruz escorria o suco das uvas
E para não escorregar
As pessoas precisavam se abaixar
E passar de joelhos, bem devagar

Acordei e percebi o preço daquele lugar
O preço de tirar a venda e poder enxergar
De não deixar a vida simplesmente passar
De não cair no abismo e se afogar

O preço que custou tanto, tanto ao Salvador!
Que o encheu de trabalhos e de dor
Só nos custa descer do orgulho que seduz
E cair de joelhos sobre o sangue da sua cruz!